terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dogville - A crueldade humana

Esse texto contém spoilers.

Hoje, falarei um pouco sobre uma obra-prima de Lars von Trier, o drama “Dogville“ que foi lançado em 2003 e tem no elenco Nicole Kidman e Paul Bettany. A obra faz um resgate ao Dogma 95, porém sem o radicalismo do movimento, extraindo, principalmente, o sentido de devolver o caráter artístico ao cinema e exorcizar o atual cinema comercial concretizado por Hollywood.

A trilha sonora é sutil, nada muito especial mas combina com o contexto. O cenário é bem original, simples, deixando sobressair o lado psicológico dos personagens e suas atitudes. O papel de Nicole Kidman caiu como uma luva pra a atriz e Paul Bettany atuou bem, principalmente no capítulo final.

O filme mostra um conflito entre as convenções sociais que ditam nossa maneira de viver e o instinto humano, que nos faz lembrar que sendo racionais ou não, continuamos sendo animais. Por isso, temos necessidades que falam mais alto que as regras de etiqueta.

Sem maniqueísmo, o diretor mostra que o homem é mal por natureza e que o poder não corrompe o homem, pois o homem já é corrompido. O poder apenas permite que o “mal natural” do homem se concretize.  Explícito a partir da exploração de Grace pelos moradores de Dogville. Na última fala do filme fica claro que a humanidade é cruel e que o sentimento de sofrimento e vingança prevalecem.
O filme é excelente. Para quem ainda não assistiu, fica a dica!