domingo, 31 de outubro de 2010

É música, mas nem tanto.

Aí estão eles caros entusiastas. Desde o dia 14 de outubro a banda norte-americana Black Eyed Peas vem dando um giro por esse brasilzão, levando milhares de brasileiros ao êxtase e ao delírio com suas músicas dançantes e com suas batidas futurísticas.

Antes de escrever qualquer bobagem – algo que para muitos farei mesmo assim – perdi vinte minutos do meu dia lendo as tão entoadas  letras dessa “megabanda”, sendo que após uma rápida sessão de reflexão pude chegar à uma conclusão: Seu sucesso, de maneira alguma, deve ser fruto do do que escrevem. Gostaria, e muito, de saber o que aconteceu com aquele, antes tão revoltado e toante, movimento rapper dos Estados Unidos, que por muito abriu os olhos da sociedade para os males que não se calhava olhar. Atualmente ouço, ainda que na maior parte das vezes involuntariamente, letras como a do vídeo abaixo:




Após pouco analisar e pesquisar uma única idéia me clareou a mente. Se o objetivo é o sucesso um caminho pródigo é esbaforir um bando de palavras, preferencialmente em língua inglesa, usar trajes esquisitos, criar uma batida dançante – devo reconhecer que isso foi feito muito bem -, usar e abusar do youtube e, EM CIRCUNSTÂNCIA ALGUMA esquecer de comprar um gigantesco telão de LED, a lá U2.

Sou, com muito orgulho, considerado, em termos musicais, aquém de meu tempo. Sou adepto de que música seja algo que una som e texto, e, independente de como se dê a união, ambos devem ser de qualidade. Bons tempos devia ser aquele em que meus pais dançavam ao som de Walk of Life. Aquele em que as roupas de Michael Jackson e Elvis Presley eram um espelho para o futuro. Tempo estupendo aquele em que a platéia delirava ao som espacial de Pink Floyd e Hawkwind e vibrava com a voz inigualável de Aretha Franklin.

Não vou ser hipócrita de dizer que tudo anda perdido. Muita coisa boa ainda acontece no cenário musical, mas de forma alternativa e independente, sem a merecida atenção midiática.
No mais é bom nos protegermos, antes que sejamos todos vestidos com carne.