segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O professor de Deus na música POP.

O que seria da cultura pop no mundo, e consequentemente desse blog, se o rapaz tão desprovido de beleza apresentado na foto ao lado nunca tivesse existido?
Essa é uma das perguntas que me motivou a escrever algumas de minhas visões sobre esse gênio.
O grande Frank, ao longo de pouco mais de
30 anos de carreira, contribuiu de forma
incalculável para que o que hoje chamamos de
música moderna existisse. Não se pode
cometer a covardia de dizer que ele foi um dos
melhores guitarristas que o rock já viu e
tampouco afirmar que foi um dos melhores
compositores. Zappa foi muito mais do que
isso, ele foi, na essência da palavra, um mestre
da música.
Conhecido principalmente pelo seu trabalho no Mothers of invention,
Frank mesclou música erudita, jazz fusion, rock e música eletrônica criando
algo inovador e positivamente inusitado. Esse seu trabalho, principalmente
no "the mothers" e especificamente no álbum "freak out!", influenciou
gerações de músicos posteriores, dentre eles os tão pouco conhecidos beatles, pink floyd
e como não se pode deixar de citar, ele foi o incentivador e mestre de um
guitarrista conhecido pelo nome de Steve Vai.
Quando subia no palco zappa redefinia o conceito da palavra show. Com apresentações
teatrais e extremamente iconoclastas ele conduzia multidões do que hoje chamamos "bicho grilo".
Esse rapaz de origem grega merece, na minha opinião, maior mérito por duas coisas:
1-Foi um músico que enxergava o mundo fora dos palcos, seja em política, religião, racismo,
de forma diferenciada e não alienada- algo que muitas bandas que se auto intitulam de
protesto fazem- e apresentava soluções plausíveis para esses problemas;
2-Mostrou para o mundo que um grande músico não precisa se fazer refém de drogas e de álcool,
pois ele mesmo criticava o uso de drogas e proibia que músicos de sua banda utilizassem. Vale
lembrar que poucas pessoas alucinavam tanto em cima do palco estando sóbrias como ele fazia.
Zappa morreu em dezembro de 1993, mas seu trabalho infinito continua influenciando
gerações de novos "aventureiros".
04-12-1993: o dia em que a música morreu mais um pouco.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dogville - A crueldade humana

Esse texto contém spoilers.

Hoje, falarei um pouco sobre uma obra-prima de Lars von Trier, o drama “Dogville“ que foi lançado em 2003 e tem no elenco Nicole Kidman e Paul Bettany. A obra faz um resgate ao Dogma 95, porém sem o radicalismo do movimento, extraindo, principalmente, o sentido de devolver o caráter artístico ao cinema e exorcizar o atual cinema comercial concretizado por Hollywood.

A trilha sonora é sutil, nada muito especial mas combina com o contexto. O cenário é bem original, simples, deixando sobressair o lado psicológico dos personagens e suas atitudes. O papel de Nicole Kidman caiu como uma luva pra a atriz e Paul Bettany atuou bem, principalmente no capítulo final.

O filme mostra um conflito entre as convenções sociais que ditam nossa maneira de viver e o instinto humano, que nos faz lembrar que sendo racionais ou não, continuamos sendo animais. Por isso, temos necessidades que falam mais alto que as regras de etiqueta.

Sem maniqueísmo, o diretor mostra que o homem é mal por natureza e que o poder não corrompe o homem, pois o homem já é corrompido. O poder apenas permite que o “mal natural” do homem se concretize.  Explícito a partir da exploração de Grace pelos moradores de Dogville. Na última fala do filme fica claro que a humanidade é cruel e que o sentimento de sofrimento e vingança prevalecem.
O filme é excelente. Para quem ainda não assistiu, fica a dica!

domingo, 31 de outubro de 2010

É música, mas nem tanto.

Aí estão eles caros entusiastas. Desde o dia 14 de outubro a banda norte-americana Black Eyed Peas vem dando um giro por esse brasilzão, levando milhares de brasileiros ao êxtase e ao delírio com suas músicas dançantes e com suas batidas futurísticas.

Antes de escrever qualquer bobagem – algo que para muitos farei mesmo assim – perdi vinte minutos do meu dia lendo as tão entoadas  letras dessa “megabanda”, sendo que após uma rápida sessão de reflexão pude chegar à uma conclusão: Seu sucesso, de maneira alguma, deve ser fruto do do que escrevem. Gostaria, e muito, de saber o que aconteceu com aquele, antes tão revoltado e toante, movimento rapper dos Estados Unidos, que por muito abriu os olhos da sociedade para os males que não se calhava olhar. Atualmente ouço, ainda que na maior parte das vezes involuntariamente, letras como a do vídeo abaixo:




Após pouco analisar e pesquisar uma única idéia me clareou a mente. Se o objetivo é o sucesso um caminho pródigo é esbaforir um bando de palavras, preferencialmente em língua inglesa, usar trajes esquisitos, criar uma batida dançante – devo reconhecer que isso foi feito muito bem -, usar e abusar do youtube e, EM CIRCUNSTÂNCIA ALGUMA esquecer de comprar um gigantesco telão de LED, a lá U2.

Sou, com muito orgulho, considerado, em termos musicais, aquém de meu tempo. Sou adepto de que música seja algo que una som e texto, e, independente de como se dê a união, ambos devem ser de qualidade. Bons tempos devia ser aquele em que meus pais dançavam ao som de Walk of Life. Aquele em que as roupas de Michael Jackson e Elvis Presley eram um espelho para o futuro. Tempo estupendo aquele em que a platéia delirava ao som espacial de Pink Floyd e Hawkwind e vibrava com a voz inigualável de Aretha Franklin.

Não vou ser hipócrita de dizer que tudo anda perdido. Muita coisa boa ainda acontece no cenário musical, mas de forma alternativa e independente, sem a merecida atenção midiática.
No mais é bom nos protegermos, antes que sejamos todos vestidos com carne.